
Crédito: Mantos do Futebol

Mestrando do Programa de Pós-graduação em Contabilidade da UFSC, onde é orientado pela Prof. Dra. Suliani Rover. Graduado em Direito pela UFSC (2015). Graduando em Ciências Contábeis pela UFSC. Integrante do Núcleo de Estudos em Contabilidade e Controladoria (NECC), coordenado pelo Prof. Dr. José Alonso Borba.
Dando continuidade a série “Números que não batem”, hoje apresentamos o que foi encontrado nas demonstrações do Goiás Esporte Clube.
Ao se analisar as Demonstrações Financeiras do clube goiano, um item que apresenta divergências e prejudica a análise se refere às Provisões para Contingências. Seus efeitos podem repercutir no resultado (Demonstração do Resultado do Exercício) e na estrutura patrimonial (Balanço Patrimonial). Há que se ressaltar que provisões para contingências consistem nos processos pelos quais os clubes são julgados e a probabilidade de perda pela equipe é provável, sendo reconhecido como um passivo do clube, ainda que o processo não tenha sido finalizado.
Em 2011, o clube divulgou um total de R$ 13.018.596 em provisões para contingências no Balanço Patrimonial. Quando a nota explicativa relativa ao tema (nota 14) é analisada, verifica-se que o total para as provisões apresentado é o mesmo do balanço. Contudo, como são divulgados 4 tipos de provisões (fiscais, cíveis, trabalhistas e administrativas), ao efetuar o somatório dos valores, o totalizador é outro.
Em 2016, o clube também apresentou divergências entre as informações. Neste caso, divulgou no Balanço Patrimonial o valor de R$ 16.285.257,68 a título de provisões para contingências. Contudo, ao observar o totalizador da Nota Explicativa (nota 14), o valor é diferente (R$ 16.230.257,68).
Nos demais anos, não foram encontradas divergências nos valores, todavia, também não é possível saber se o clube corrigiu as informações. Não há menções no relatório de auditoria.
Ainda que esta diferença não seja material quando comparado
com o total do passivo do clube ou o próprio não circulante, há que se
considerar que seu efeito também no resultado, pois, sendo estes valores considerados
aumentos nas estimativas feitas, os valores transitaram como uma despesa no
resultado do exercício de 2011 e 2016, portanto, subavaliando-os.
Estas divergências, contemplam uma informação distorcida e reduzem a qualidade dos dados divulgados. Isto foi identificado em apenas um tipo de informação e, caso aconteça em outras contas, pode distorcer ainda mais a situação econômica, financeira e patrimonial do clube.
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Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Contabilidade (PPGC) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Mestra em Contabilidade pelo PPGC/UFSC (2018). Bacharela em Ciências Contábeis pela UFSC (2015). Pesquisadora do Núcleo de Estudos em Contabilidade e Controladoria (NECC). Membro do Conselho Deliberativo do Figueirense Futebol Clube.
Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Contabilidade (PPGC) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Mestre pelo PPGC UFSC (2020). Bacharel em Ciências Contábeis pela UFSC (2017). Integrante do Núcleo de Estudos em Contabilidade e Controladoria (NECC), coordenado pelo professor Dr. José Alonso Borba.